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Aprender a saber quando parar!

Juliana Martins

Psicóloga

Não costumo fazer publicações!

Tendencialmente escolho ter uma postura discreta nas redes sociais. Contudo, existem aprendizagens que considero serem de interesse público, pela sua utilidade e relevância.

Nos últimos dias aprendi que também os psicólogos, enquanto pessoas que são, podem ter dificuldade em conseguir reconhecer e respeitar os sinais do seu corpo. Foi o que aconteceu comigo.

Nos últimos anos tem sido pouco comum o meu corpo adoecer. O que é extremamente positivo, tendo em conta experiências que tive anteriormente.

Eu amo a minha profissão – psicóloga– assim como ajudar as outras pessoas. Sou grata pela vida e pelas experiências que vou adquirindo. No meu dia-a-dia sou movida por uma motivação sobretudo intrínseca e um gosto genuíno em ajudar as outras pessoas e em dar o meu contributo em prol de uma sociedade mais respeitadora, justa e não violenta.

Procuro ter uma rotina diária de autocuidado, mas nem sempre é possível ser consistente com a mesma. Aprendi a gostar de desporto e neste momento não me vejo a viver sem jogar padelou fazer exercício físico no ginásio ou em casa.

Mas, como é normal, sou pessoa e por isso é normal adoecer, e foi o que naturalmente aconteceu na altura da Páscoa de 2026.

Até aqui nada de mais, contudo como psicóloga acabei por não respeitar os sinais do meu corpo, apesar de estar continuamente a sensibilizar as outras pessoas para o fazerem. Ultrapassei os limites do meu corpo, o que contribuiu para agravar aquilo que poderia ter sido apenas uma simples agudização da minha asma.

Não parei de trabalhar, mas tive de condicionar a prática de desporto devido à dificuldade em respirar, o que foi difícil para mim.

Como tudo na vida, considero que devemos aproveitar todos os momentos como oportunidades de aprendizagem e crescimento. E neste momento é o que escolhi fazer, encarar esta situação menos positiva de forma construtiva. Permitir-me e aprender a parar e respeitar as indicações médicas nesse sentido.

Não temos de ser supermulheres, super-homens, muito menos super-pessoas. Acredito que temos de escolher ser pessoas, preferencialmente conscientes de si próprias e de aprender a estabelecer, reconhecer e respeitar os nossos limites. Esta está a ser para mim uma aprendizagem pessoal, mas espero que possa ser um contributo ou gatilho de aprendizagem para as outras pessoas.

Afinal aprendi que também os psicólogos ficam doentes e emocionalmente vulneráveis e ainda bem que assim é, pois na nossa prática profissional um dos pilares fundamentais é sermos genuinamente empáticos.

Quero agradecer, todo o apoio e suporte emocional à minha família, aos meus amigos e colegas do Agrupamento de Escolas Professor Paula Nogueira em Olhão, desde a Equipa da Direção, aos Titulares de Grupo, Professores de todos os ciclos de ensino e áreas curriculares, à EMAEI, às Assistentes Técnicos, Assistentes Operacionais e aos meus queridos colegas Técnicos Especializados. Não consigo enumerar os nomes de todos/as e também não seria justo ou equitativo fazê-lo. Todos/as são importantes!

E, claro, quero agradecer às nossas crianças, alunos e encarregados/as de educação/pais que ao tomarem conhecimento que eu tinha de ausentar-me por motivos de saúde, demonstraram o seu afeto e carinho através de mensagens escritas, dirigidas à minha pessoa. Sim, porque eu partilho o meu contacto pessoalquando é necessário com os alunos, EE´s e pais, com uma definição clara e objetiva quanto às regras de utilização deste contacto, o qual pretende ser um facilitador para chegar à minha pessoa.

Quero agradecer àEquipa da CPCJ de Olhão, na qual sou membro cooptado da modalidade alargada por cedência do AEPPN, que assim que tomaram conhecimento foram extremamente afetuosas. Muito obrigada minha querida Sara Patrocínio pelo teu cuidado personalizado!

É com imensa gratidão que destaco o trabalho desenvolvido com os Agentes do Programa Escola Segura. Realizam um trabalho de grande proximidade connosco no Agrupamento e ajudam-nos a resolver com situações de maior complexidade. O Agente Marco Sores merece que o seu excelente profissionalismo e apoio à minha pessoa sejam reconhecidos e enaltecidos. É uma pessoa com um espírito de missão e de interajuda incríveis. Realço também o trabalho da Agente Tatiana Bechinho, embora seja ainda recente nesta equipa, já demonstro ser uma pessoa correta, profissional, assertiva e disponível a ajudar.

Relembro ainda o trabalho que desenvolvi com o Agente Filipe, o qual foi transferido para Tavira, para perto de casa. Quando iniciei funções no AEPPN a equipa do Programa da Escola Segura era constituída pelo Agente Filipe e Agente Marco. Fizeram uma equipa fantástica!

A PSP e a GNR estão de Parabéns pela ajuda e respostas dadas ao AEPPN.

Muito obrigada à Equipa do Setor de Assessoria Técnica aos Tribunais da Segurança Social de Faro que também perceberam a minha condição de saúde mais vulnerável e demonstraram de imediato a sua solidariedade.

Por último, mas não menos importante, quero agradecer à equipa dos restantes Agrupamentos, com maior destaque para os Técnicos Especializados (Psicólogos, Técnicos Sociais, Mediadoress linguisticos e culturais, que trabalham arduamente para contribuir para uma comunduiade educativa mais inclusiva, justa e sempre numa perspetiva de salvaguardara o superior interesse da criança e jovem. Um Bem-haja a estas pessoas que acabam por assumem o papel de missionárias. São muitos nomes por isso não vou concretizar com receio de me esquecer de algum. Digo apenas o nome dos Agrupamentos, para além do nosso AEPPN, destaco o AE Dr. Alberto Iria, AE João da Rosa, AE Francisco Fernandes Lopes.

Enalteço o trabalho desenvolvido pelaRede de Intervisão de Olhão (RIO), da qual faço parte como membro fundador. Infelizmente devido á minha situação de saúde não consegui estar presente na última reunião no dia 24 de abril de 2026,

Cuida-te! Tu és importante! A saúde está primeiro! Prioriza-te! Se precisares de alguma a qualquer hora, diz! Se precisares só de falar, eu estou aqui! – Estes têm sido os comentários que mais tenho ouvido das pessoas que mencionei acima! E perante isso escolho sentir gratidão, porque afinal tenho sido ouvida. Reconheço cada uma dessas expressões porque as utilizo no dia-a-dia, sem cariz propriamente técnico ou científico, mas com um enorme cariz humano e de suporte emocional.

Sou grata por privar com estas pessoas e, afinal de contas, pelo meu corpo ter adoecido, caso contrário poderia não ter tido a oportunidade de parar e conseguir realizar esta reflexão e consequente aprendizagem. Agora é momento de recuperar e de trabalhar para consolidar esta aprendizagem, de forma a não repetir os mesmos erros.

Afinal, tenho o direito de adoecer e de ausentar-me do meu trabalho que tanto amo, por motivos de saúde! Tive de colocar um CIT – certificado de incapacidade temporária – por indicação expressa de 2 médicos. Esta é a primeira vez que coloco um CIT em 16 anos de trabalho nas áreas da psicologia. Sem contar com o nascimento das minhas filhas, as quais quiseram nascer prematuramente, o que requereu breves momentos de baixa por gravidez de risco. Também tenho o direito a regressar e continuar a contribuir para uma comunidade educativa mais inclusiva, respeitando e assente no bom trato!

Disfrutem de cada momento, independemente da sua natureza. Escolham olhar para os momentos do dia-a-dia de uma perspetiva de crescimento, enquanto pessoa que somos.

Afinal, aprender a saber quando parar é uma aprendizagem crucial para qualquer pessoa!

Bem-haja a todos/as

Ver artigo em: https://www.linkedin.com/pulse/aprender-saber-quando-parar-juliana-martins-omyfe

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